Nikolas Ferreira apresentou no episódio 01 da série “8 de Janeiro” a história de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, um empresário comum preso dias após os eventos de 8 de janeiro de 2023 e que, dez meses depois, faleceu na cadeia da Papuda sob omissão do estado. Seu crime? Nenhum que pudesse ser comprovado. Sua pena? A morte, sem direito a despedidas.
Quem era Cleriston Pereira da Cunha
Cleriston tinha 46 anos, era pai de duas filhas, casado há mais de 25 anos com Jane Duarte e trabalhava como empresário de uma distribuidora de bebidas que já tinha na família há gerações. Era homem respeitado e admirado na região, primário sem antecedentes criminais, e até então vivia do seu próprio trabalho.
“O cesão era um brasileiro como qualquer outro que acreditava em um Brasil com suas cores pintadas de verde e amarelo ainda vivas e reluzentes.” Nikolas Ferreira, em pronunciamento durante a série 8 de Janeiro.
Cleriston nunca foi vândalo, golpista ou terrorista, conforme acusou em momento o Ministro da Justiça Flávio Dino. Três dias antes de ser preso, havia vencido a Covid-19 após 33 dias internado, recebendo pulsoterapia e antibióticos. Ficou com sequelas e precisava de acompanhamento médico contínuo. No domingo 8 de janeiro, dia em que seria preso, ainda estava trabalhando em sua distribuidora até às 16 da tarde, fato registrado inclusive pelo circuito interno de segurança do próprio estabelecimento.
A prisão sem argumento
Os últimos passos de Cleriston em liberdade foram dados no próprio Senado Federal, onde entrou para se abrigar enquanto a ação policial usava gás de pimenta e tiros de bala de borracha contra os manifestantes. Uma medida comum em situações de segurança. Mas em questão de segundos tudo mudou.
“Cedão foi criado e educado para viver do seu próprio suor era trabalhador e casado há mais de 25 anos com Jane Duarte mas agora o inimigo foi selecionado sem argumentos sem razão é revoltante.” Nikolas Ferreira, descrevendo os fatos do dia 8 de janeiro.
Cleriston ficou dez meses preso em uma cadeia sem ter cometido crime. Sem ter roubado. Sem ter quebrado nada. Sem ter sequer participado de qualquer delito que pudesse ser documentado. Estava ali, em paz, quando foi capturado. Não apresentava qualquer risco à sociedade, fato reconhecido inclusive pela Procuradoria Geral da República, que recomendou sua soltura e que respondesse o processo em liberdade.
O reconhecimento da inocência
Enquanto Cleriston permanecia preso sem provas, Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, foi solto de maneira acertada por autoridades. A pergunta que Nikolas fez ecoou no Congresso: por qual motivo Clezão, que estava em sua distribuidora trabalhando e que o próprio Ministério Público Federal recomendava liberdade, não seria libertado?
“Clon não apresentava risco nenhum à sociedade e nem muito menos representava qualquer possibilidade de tumultos nas investigações.” Nikolas Ferreira, citando parecer do Ministério Público Federal.
A Procuradoria Geral da República tinha como função constitucional representar e fiscalizar os interesses da União. Sua recomendação foi clara: liberdade e processo respondido fora da cadeia. A justiça brasileira, porém, optou pela omissão ao não atender o parecer que tinha em mãos.
Três pontos cruciais sobre a morte de Clezão
Nikolas apontou três questões fundamentais que marcam a injustiça contra Cleriston:
Ponto um: exceder não é fazer justiça. Três laudos médicos foram apresentados à justiça comprovando que Clezão sofria de problemas cardíacos graves, pressão alta e havia passado mal várias vezes dentro da cadeia. Precisava tomar nove medicamentos por dia para estar vivo.
Ponto dois: omissão mata. Clezão foi sentenciado à morte diante da omissão do próprio Tribunal Federal quando não atendeu a recomendação da Procuradoria Geral da República para sua liberação. A individualização da pena, princípio básico do Código de Processo Penal brasileiro, foi ignorada.
Ponto três: o crime contra a democracia. Olhando para dois processos de réus distintos, cerca de 93% do conteúdo era idêntico. Onde estavam as vozes que deveriam ecoar pelo Estado democrático de direito?
“Acredite esse vídeo não é sobre política é sobre vida dignidade e sobre humanidade.” Nikolas Ferreira, ao encerrar a análise dos fatos.
Principais pontos destacados
- Cleriston Pereira da Cunha era um empresário comum, trabalhador e pai de família, primário sem antecedentes criminais
- Foi preso no dia 8 de janeiro de 2023 sem provas de crime algum
- O Ministério Público Federal recomendou sua liberação e que respondesse o processo em liberdade
- Ficou dez meses preso sofrendo com problemas cardíacos graves e precisando de nove medicamentos diários
- Faleceu na cadeia da Papuda no dia 20 de novembro sob tutela do estado
- A omissão da justiça brasileira violou o princípio de individualização da pena
- Nenhum responsável foi esclarecido ou punido pela morte de um pai de família
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FAQ: Perguntas Frequentes
1. Quem era Cleriston Pereira da Cunha?
Cleriston tinha 46 anos, era pai de duas filhas, empresário de uma distribuidora de bebidas que já estava na família há gerações, casado há mais de 25 anos com Jane Duarte. Era homem trabalhador, respeitado na região, primário sem antecedentes criminais, e vivia do seu próprio suor até ser preso.
2. Por que Cleriston foi preso no dia 8 de janeiro?
Cleriston entrou no Senado Federal durante os eventos de 8 de janeiro de 2023 para se abrigar enquanto ações policiais com gás de pimenta e balas de borracha ocorriam. No entanto, foi capturado e preso sem comprovação de crime algum, apenas por estar lá naquele dia.
3. O Ministério Público Federal recomendou sua soltura?
Sim, a Procuradoria Geral da República, que tem como função constitucional representar e fiscalizar os interesses da União, recomendou a liberação de Cleriston e que ele respondesse o processo em liberdade, já que não apresentava risco à sociedade.
4. Quanto tempo Cleriston ficou preso?
Cleriston ficou dez meses preso na cadeia da Papuda sem ter sido condenado ou comprovadamente culpado de qualquer crime. Ficou esperando por um processo que nunca avançou adequadamente.
5. Qual era o estado de saúde de Cleriston na prisão?
Cleriston tinha problemas cardíacos graves, pressão alta, e havia vencido a Covid-19 apenas dias antes de ser preso, precisando de acompanhamento médico contínuo. Precisava tomar nove medicamentos por dia para se manter vivo, conforme comprovado por três laudos médicos apresentados à justiça.
6. Como Cleriston morreu?
Cleriston faleceu no dia 20 de novembro de 2023 na cadeia da Papuda sob tutela do estado, na presença de omissão total das autoridades que não cumpriram a recomendação de sua liberação nem atenderam adequadamente suas necessidades médicas. Uma dor que não se resolve com indiferença.
7. O que Nikolas considera injusto no caso de Clezão?
Nikolas aponta três pontos cruciais: primeiro, que exceder não é fazer justiça; segundo, que a omissão mata, pois a justiça não atendeu à recomendação do Ministério Público; e terceiro, que houve crime contra a democracia ao ignorar o princípio de individualização da pena, com 93% de conteúdo idêntico em processos distintos.
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